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Greve dos caminhoneiros ganha força e apoio e se torna Greve do Povo

Protesto contra preço de combustível entra no quarto dia e afeta desde supermercados até aeroportos. Vitais para transporte de cargas no país, caminhoneiros desembolsam grande parte do que ganham para pagar diesel.

Pelo sétimo dia seguido, caminhoneiros amanheceram neste domingo (24/05), às margens da principal rodovia do Brasil, a Dutra, sem dar sinais de que voltarão a circular em breve. De São Paulo ao Rio de Janeiro, caminhões carregados ocupam gramados e postos de combustível desde a noite do último domingo em protesto aos sucessivos reajustes no preço do diesel. 

 

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No Brasil, milhões de caminhoneiros são responsáveis por quase a totalidade do transporte de cargas que abastecem os brasileiros, principalmente produtos perecíveis. Veículos, grãos, mantimentos, bebidas e combustíveis viajam longas distâncias nas rodovias para chegar aos consumidores. 

É difícil estimar quantos caminhoneiros deixaram de trabalhar desde o inicio da paralisação. Mas os reflexos são críticos e estão por toda parte: grandes cidades anunciaram a redução da frota de ônibus no transporte coletivo por falta de combustível; aeroportos alertam que não há estoque suficiente para aviões encherem os tanques nos próximos dias, e vários voos foram cancelados; e o desabastecimento de produtos básicos preocupa supermercados e feiras livres.

No estado de São Paulo, por exemplo, os postos de gasolina  não tem mais combustível, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo. Em Brasília, muitos postos foram obrigados a se manter fechados neste domingo. No Rio de Janeiro, cerca de 100% dos postos estão sem combustíveis.

A Copasa  alertou que a greve dos caminhoneiros pode prejudicar o fornecimento de água em algumas  cidades, pois a entrega de produtos químicos utilizados para tratar a água pode ser afetada.

Derrotado na negociação na qual fez várias concessões aos caminhoneiros grevistas parados desde segunda-feira, o Governo Michel Temer apelou para o uso das Forças Armadas para tentar evitar o desabastecimento de combustível e insumos básicos no país. O presidente emitiu um decreto de garantia da lei e da ordem (GLO), a base legal para autorizar que militares acabem com bloqueios de rodovias e dos acessos a aeroportos, portos e refinarias. Recebeu ainda um aval de uma decisão do Supremo Tribunal Federal para fazê-lo. Mas o cenário estava longe de ser animador.

A gestão se deparava com um lento enfraquecimento do movimento que ainda bloqueava 519 rodovias até o início da noite desta sexta-feira dados da Polícia Rodoviária Federal dão conta de que desde segunda-feira houve 938 interdições ao longo do país. A perspectiva de normalização de serviços, incluindo o funcionamento dos postos de gasolina, também era sinal de um final de semana tumultuado pela frente: na maior cidade do país, São Paulo, havia pouquíssimo combustível e previsões desanimadoras do setor.

Falta de alimentos em supermercados, frotas de ônibus reduzidas pela metade em diversas cidades e aeroportos restringindo voos por falta de combustível para aeronaves. Ainda assim, o movimento dos caminhoneiros recebia apoio daqueles que eram mais impactados pelo caos instaurado no país pelo desbastecimento. Como explicar isso? Simples: a reivindicação dos caminhoneiros é vista como justa por uma parcela significativa da população. 

A atual política de preços da Petrobras, que provoca reajustes quase que diários nos preços dos combustíveis acompanhando a cotação internacional do barril de petróleo, desagrada boa parte dos brasileiros – e não é de hoje. Ou seja, muita gente se viu representada por uma categoria de trabalho que exerce o direito legítimo de se manifestar. E com um detalhe: com alto poder de exercer grande pressão sobre o governo. 

 

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